Me parece que o real não pode ser se não uma própria representação do homem, ele se torna real e as coisas à sua volta na medida que as compreende, analisa e as representa.
O professor desenha no quadro uma flor, e pergunta para a classe: "o que é isso?" Todos respondem "é uma flor". Então ele corrigi "é um desenho de uma flor, esta não é a flor, ela não tem cheiro, textura ou cores, mas ela representa uma flor".
Então, ao que parece, o real passa ser representado, e a representação passa a ser o real.Mas o que é então o real? Por que o homem desenvolve a capacidade da abstração?
Os pré socráticos, analisavam que "o rio que mergulhei ontem não é o mesmo de hoje". O rio pode ser o mesmo, mas a água já não é mais a mesma, uma outra água. Mas ainda é água, um único elemento.
Porém as coisas são finitas, elas acabam, mas segundo Platão, isto é uma incoerência com o ser humano, pois ele tem uma "alma", termo advindo da filosofia de Sócrates - ao qual nada escreveu, pois foi descrito seus principais pensamentos pelo próprio Platão,- que significa anima, aquilo que tem animos, conatus, movimento, vida, ser vivente (que posteriormente será estruturado logicamente por Aristóteles). Todavia Platão atribui a essa "alma" uma imortalidade, que alcançará a verdade plena após a morte na "plánicie da verdade" e que mergulhará "no rio do esquecimento", para então voltar à essa vida. Aqui Platão cria uma dualidade (corpo x alma), ao qual se seguirá toda uma filosofia cristã, que deitará e rolará sobre essa dualidade, até de modo fantasioso.
Mas o que Platão queria dizer, com essa "alma" era o próprio conhecimento, nada de "espíritos" ou outras "entidades" criadas (principalemente pela filosofia neo-platônica de Plotino e que se segue à Sto. Agostinho ao qual a própria "santidade" o segue como recusa das "tentações carnais" - afastamento do mundo). Porquanto ele se referia a uma estrutura da busca pela verdade de um conhecimento "puro" e criticava as artes por serem um falseamento do falsemento da verdade, pois o mundo para ele, no sentido físico mesmo, era errôneo, pois enganava à busca de uma verdade, por fim a arte como tal era pior ainda, uma vez que a ela caberia o papel de "enganador supremo".
"Enganador supremo", na verdade não é um termo que se vê em suas reflexões. Mas é interessante observar que se faz análogo ao "gênio maligno" de Descartes.Que terá na dualidade com David Hume, a máxima dessa "separação" entre corpo e alma, sensível e ideia.
Mas a dualidade enfrentada por Descartes se dá na sua oposição à teoria de David Hume. Segundo o qual não há relações entre os eventos, nada como um vínculo físico duma relação “necessária”; os eventos simplesmente meramente ocorrem, e não há nenhum “deve” ou “deveria” envolvido, mas, a experiências repetida dos eventos se estabelecem uma expectativa da ocorrência inevitável de um outro que erroneamente é projetada numa inferência mental aos outros eventos, pois as relações causais se dão através de inferências, sendo essas as que os observadores a fazem, conquanto pode se atribuir que tal necessidade existe apenas na mente; a causalidade se encontra intimamente vinculada ao papel de sua inferência, no qual apresenta dois pressupostos: “causas similares, em circunstâncias similares, sempre produzirão efeitos similares”, e a de que “a natureza continuará a mesma”.
Hume endossou com freqüência uma concepção característica do século XVII, segundo a qual a idéia, em última instância, remonta, por análise, às impressões sensíveis de um tipo interno ou externo. Assim, ele afirmou que todas as suas teses se baseiam na experiência, compreendida como consciência sensível associada à memória, uma vez que somente a experiência estabelece os fatos.
Destarte Segundo nosso filósofo, ao que se segue suas analises, principalmente na terceira reflexão do "Discurso sobre o Método" (na primeira tem-se o mundo por "verdade",as sensações etc; na segunda a observação de que a "vela que ao ausentar-se da sala não era vela, mas sim cera, mas como sabia que era antes uma vela?"; e na terceira vem a figura do "gênio maligno" que tenta desviar na busca da verdade e ver o fisis como o real). E contrariamente à concepção de Hume, será a obervação da realidade que estabelece os fatos, porquanto os fatos se dão no nível da ideia, o patamar do pensar (cogitar) "cogito ergo sum" (penso logo existo); eis a máxima que se dá ao pensamento de Descartes; como por exemplo citado anteriormente observado a vela, ante esse "antes" e "depois" (a vela e a cera) eu observei e fiz a percepção que a cera fora anteriormente a vela.
Pois bem , se apresenta aqui, Kant, ele acaba sendo o filosofo que vai sair dessa dualidade entre Hume e Descartes, apresentando que a expreriência produz o conhecimento, mas que ela também tem uma estrutura que não se origina apenas na experiência; tem-se então o termo fenomenologia.
O fênomeno é uma "via de mão dupla" (em termos coloquiais). O sujeito é afetado pelo objeto, e ele o observa, por capacidades inerentes à sua estrutura cognitiva (conatus-estruturas a prioriori, ou anteriores à experiência-;sensibilidade, intelecto e razão) no qual a realidade não pode ser conhecida em si, ela não é em si, mas o que se observa dela, e por quanto a mesma passa ser representada, e a representação passa ser real.
Mas embora todo o nosso conhecimento comece com a experiência, nem por isso todo ele se origina justamente da experiência. Pois poderia bem acontecer que mesmo o nosso conhecimento de experiência seja um composto daquilo que recebemos por impressões e daquilo que a nossa própria faculdade de conhecimento (apenas provocada por impressões sensíveis) fornece de si mesma, cujo aditamento não distinguimos daquela matéria-prima antes de um longo exercício nos tenha chamado a atenção para ele e nos tenha tornado aptos a abstraí-lo.*
*Apud: "Critica da razão Pura": REZENDE, Antonio. Curso de Filosofia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor,2001. 10. ed. pp.:133;
PS: Ao longo dos artigos vou abordar alguns temas, fazendo uso também dos materiais desenvolvidos ao longo do meu estudo universitário, este artigo é apenas uma introdução, irei desenvolver outros... aguardem =D, espero que tenham gostado.

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